#TchauPibid

Depois de oito anos, as atividades do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) serão encerradas na UVA no próximo dia 28. Na verdade, o PIBID é mais antigo e será descontinuado em todo o país. O maior programa de apoio à formação de professores que se tem notícia no Brasil, que concedeu bolsas à milhares de estudantes, simplesmente não é uma prioridade – aliás, sequer parece importante – para o “País do Futuro”.

Desde 2014 a energia era dividida entre o trabalho do pibid e o movimento #ficapibid.

Em algumas outras profissões, o estudante primeiro experimenta o campo de trabalho antes de ser considerado um profissional da área. Nas licenciaturas, é diferente; o sujeito muitas vezes termina o seu curso de graduação sem jamais ter ministrado uma aula. Era ai que o PIBID entrava: o estudante ainda na graduação tinha a chance de conhecer e experimentar o seu futuro lugar de trabalho. Por ora, não mais.

Era pelo dinheiro? Sim e não.

Sim pelo fato de ser a chance do estudante poder pagar seu deslocamento e alimentação para chegar até a escola parceira. Por poder dividir o aluguel de um apartamento com uns 7 colegas e poder morar na sede da Universidade, tendo mais tempo para se dedicar ao curso. Não, porque 400 reais em 2018 para quem mora longe da família é quase um insulto.

Há promessas de que haverá novo edital a partir de março para as universidades se inscreverem, mas se for verdade, só Deus sabe qual o novo formato… Fala-se em diminuir o período de vigência da bolsa (que era de até 4 anos) e com o atual cenário, é bem possível que inclusive a quantidade de bolsas diminua. Só o tempo dirá.

Primeira equipe de bolsistas: 20 de abril de 2010. De pé: Edilson (esq.), Willemberg, Ednardo, Maicon, Maria Fernandes, Kelly Raquel, Tereza Cristina (escondida), Daiane, Teresa Cristina Medeiros, Tatiane, Italândia, Alonísio e Geilson. Agachados: Jonas (esq.), César, Ivanildo e Jeovane.

Especificamente na UVA, o projeto iniciou as atividades em abril de 2010. No curso de Licenciatura em Matemática, também. No nosso curso, eram 20 bolsas para alunos, quatro para professores da rede pública das escolas parceiras e mais uma bolsa para um professor do curso, o coordenador de área. À época, fiquei com a vaga. Eu não era a pessoa mais indicada para isso, mas meio que era eu ou ninguém.

Apesar de professor de um curso de licenciatura, eu não tinha muita preocupação ou interesse pela Escola. O PIBID me fez olhar com atenção para o lugar do qual viemos e para o qual enviamos nossos estudantes. Parece bem óbvio, mas creio que na maioria dos cursos de licenciatura pelo Brasil afora, essa é a tônica.

É triste ver o descaso do governo com a educação no país e entender que, na verdade, quem está no poder está interessado apenas em poder. Apesar disso tudo, o PIBID me deu a oportunidade de conviver com dezenas de alunos do curso e muitos professores da educação básica ao longo desses 8 anos. Foi um aprendizado que eu jamais poderia ter se não fosse uma experiência como esta.

Há alguns dias venho revendo os registros desse tempo todo e fiquei muito feliz em perceber que a maioria desses cerca de 150 estudantes com os quais convivi, está bem encaminhados: professores competentes e empregados em diversas cidades, mestres, mestrandos e doutorandos. Teriam eles o mesmo sucesso sem a participação no PIBID? Alguns, talvez, não.

Pessoalmente falando, foi uma satisfação imensa poder conviver com tantas pessoas boas ao longo desse tempo. Com as pessoas não tão boas, que ainda precisam de mais vivência para entender certas coisas, não foi prazeroso, mas foi importante: o meu aprendizado aconteceu. Desta forma, agradeço a cada um que fez parte do grupo L.O.S.T/Matemática (nome “secreto” que usamos nos últimos quatro anos para o grupo com o qual eu trabalhava diretamente).

Já na reta final, com o término praticamente certo, perdemos algumas bolsas… Vários estudantes preferiram abraçar outras oportunidades de estágio ou emprego, mas o grupo que permaneceu no L.O.S.T. merece todo o respeito. Apesar do nosso armagedom, o grupo permaneceu trabalhando de maneira digna: participando das atividades,  entregando as tarefas no prazo e com qualidade. A honestidade e dignidade dessa turma é mais uma coisa boa que levo desse octênio.

Equipe que fecha este ciclo de trabalho. Fevereiro de 2018. De pé: Janaína (esq.), Edna, Leidiane, Cristina, Fernando Araújo, Antônia, Júnior, Bruna, Edson, Mailane, Roniele e Silvia. Agachados: eu (esq,), Fernando Neres, Tiago, Wesley, Bruna, Hynara e Thays.

Todos esperamos que o PIBID volte, mas se não voltar, que possamos aproveitar as oportunidades no curso – e criá-las, por quê não!? – para que se tenha a melhor formação possível para os futuros professores de Matemática da região.

Negrada: muito obrigado por tudo!

PS: Paguei ontem a minha dívida desde aquela manifestação na Praça de Cuba!

Para quem tiver curiosidade sobre o que fizemos de 2010 pra cá, acesse:

http://pibidmatematicauva.blogspot.com.br/
www.pibidmatematicadomjose.blogspot.com.br/
www.pibidmatematicaml.blogspot.com.br/
www.pibidmatematicasinhasaboia.blogspot.com.br/
www.pibidmatematicaribeiroramos.blogspot.com.br/

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