#53 – Desafio Sprint Sobral x Meruoca (2018) – 24k

Para encerrar o (meu) calendário 2018, a mais esperada de todas: o 3º Desafio Sprint Sobral x Meruoca.

São 24km entre o Centro de Convenções de Sobral e a praça da Igreja Matriz de Meruoca, cidade serrana. Os aplicativos de corrida registram altimetria entre 700m e 800m. De todo jeito, é subida muita!

Inscrições abertas desde outubro por R$ 50,00 para corredores da Sprint. Salvo engano, R$ 60,00 para os demais. Distâncias de 6km, 12km e 24km e, ao todo, mais de 200 corredores inscritos. Surpreendente, levando-se em conta a dificuldade da prova.

Como já tinha feito essa subida duas outras vezes (o 2º Desafio Sobral Meruoca e um treino no Carnaval deste ano), já entendo bem o que “tem de bom” nesse percurso. Por isso, desde outubro já vinha treinando subidas com a Camilla Lopes. A Sprint também marcou alguns treinos de subida. Pronto, era o que dava pra fazer.

No entanto, há 15 dias da prova, fizemos um longão de 34km (Sobral-Forquilha-Sobral). O máximo que eu já tinha feito em um único dia foram os 30k do Desafio Sobral x Groaíras, em maio. A questão é que depois desse dia, ainda não voltei a ser o mesmo. Difícil a recuperação.

Nesse período, o cansaço não passava por completo. Principalmente nas panturrilhas. Maneirei no ritmo dos treinos, mas continuei rodando entre 10km e 15km. O último treino foi na quinta, dia 13, e depois só descanso.

Nem o kit eu fui pegar. Pedi a Ju, que foi na VIP Training (local de entrega dos kits) com o JC no sábado. Dormi relativamente bem e às 4h30 do domingo partimos, Camilla e eu, rumo ao Centro de Convenções de Sobral.

Na concentração.

Chegando lá, boa parte dos corredores já se encontrava no local. Os ônibus que levariam os corredores dos 12k e dos 6k para seus respectivos locais de largada, também.

Depois de aquecimento ultra rápido, um Pai Nosso e uma volta no Centro de Convenções, partimos – já correndo – para os 24km e os ônibus também.

Largada no Centro de Convenções.

 

Um bloco se formou com Grazi, Jailson, Michel, Robertson, Lucélio, Conceição, um outro colega cujo nome não sei, e eu. Ficamos juntos até a brincadeira começar de verdade, no início da subida, um pouco depois dos 6km. Minhas batatinhas doíam. Quando ficava mais íngreme, eu caminhava um pouco, pra recuperar. Depois, trotava. Fiquei bem para trás do bloco.

Foto: Ivanésio Silva/StarFox.

No quilômetro 9 (Marina), segundo posto de hidratação e o suor que escorria até a boca estava bem salgado. Eu sei que o suor é salgado, mas achei que dessa vez estava além do normal. Julguei que estava perdendo sal e que isso podia não ser muito bom. Comi logo uma paçoquinha, pois dizem que tem sal, e melhorou (ou esqueci de ficar olhando o gosto do suor…). A partir daí, o primeiro trecho dos piores trechos: a sequência de curvas fechadíssimas onde – pra mim – é praticamente impossível correr.

Por volta do quilômetro 12 as coisas melhoram e começamos a correr por mais uns 3km, até a Palestina. Em seguida, o segundo pior trecho dos piores trechos: uma subida de mais uns 2km, que de carro é ruim. Imagine “de a pé”… Caminhamos!

Lucélio, eu, Jailson e Robertson.

A esta altura, a maior parte do bloco estava junta novamente.

Na entrada de Alcântaras (aos 16,5km) começava um trecho de leve declive, no qual corremos pra valer novamente. Aliás, a partir daí, apenas no açude (por volta dos 21km) teríamos nova subida. Corremos direto, agora!

 

Tudo tranquilo até o final, lindas paisagens, clima agradabilíssimo e pontos de hidratação funcionando bem (exceto o último no qual a água zerou depois de nossa passagem (mas foram buscar mais)). Água sempre geladinha e gentileza por parte do staff.

A chegada se deu pela parte de trás da Igreja Matriz devido às obras na rua principal. Final das contas: 24,2km em 2h54min. Seis minutos a menos do que ano anterior. O progresso parece “pouco” depois de um ano treinando regularmente, mas como estou menos moído que ano passado, considero o saldo positivo.

 

Corri com o número 24 e meus colegas de asfalto me fizeram voltar à quinta série. “Vinte e quatro, huuuuuuuum”… Ai, ai rsrsrs.

 

Link para o vídeo feito pelo Jaílson

Aliás, é mais um ano que se vai cheio de corrida; é o meu quinto ano (since 2014). As pessoas falam que é um esporte “fácil” de se praticar pois basta colocar um tênis e correr. O problema é que parece ser mais fácil desistir do que continuar praticando. Quantos corredores a nossa volta sequer completam um ano neste esporte?

Não sou chegado a heroísmos – peço desculpas se estes relatos causam esta impressão. Não me vejo fazendo coisas épicas quando corro 24k, 30k, 34k – e agora peço desculpas se parece arrogância… Não é! Mas isso está tão incorporado ao meu modo de vida, que nada mais é do que uma sequência de fatos (treinos) que vez por outra culminam nessas distâncias absurdas para a maior parte da população.

Entendo que a principal dificuldade para se manter praticando este esporte está no comprometimento: com os treinos, com os horários, com a academia, com a alimentação e com a renúncia de certas coisas (noitadas, bebedeiras, fastfoods, etc) e, em certa medida, comprometimento com os demais colegas.

Por exemplo, no meu caso. Quem corre em Sobral sabe quem realmente é fera na corrida, mas hoje estou com mais de 1900km em 2018 em 150 treinos/corridas. Imagina os “cavalos”!? E você não constrói isso sem comprometimento. Precisa acumular tudo isso? Não. É exagero, até. Com bem menos quilômetros é possível ter uma qualidade de vida incrível. Mas, ainda assim, é necessário comprometimento.

Por outro lado, esse comprometimento com o esporte traz benefícios certos: melhor saúde, melhor humor (ok, nem sempre, pois alguns corredores são chatos pra caramba rsrsrs), na maioria dos casos isso é melhor aceito pelos familiares do que outras práticas menos saudáveis e por ai vai. Também, quando se pratica este esporte em grupo, de alguma forma ele te faz se sentir parte de alguma coisa.

A questão é saber se o que você é antes da corrida, determina que corredor você será! Como a Camilla diz, “a gente corre como a gente vive”. Ou seja, a corrida é um “recorte” de nossa vida e, portanto, talvez seja errado pensar que a corrida nos transforma. Talvez só estejamos preparados para a corrida quando nos transformarmos –  e, quem sabe, a transformação não possa acontecer quando já nos iniciamos no esporte? Eu, hoje, sinceramente, sinto como se a corrida escolhesse a gente, e não o inverso.

Então, se você já é um corredor, persista! Se ainda não é, venha. Se vier, e der vontade de desistir, talvez o problema não seja o esporte, mas o quanto você está disposto a se comprometer.

Obrigado a todos que me ajudaram neste 2018 de comprometimento com asfaltos e trilhas: Ju, JC, Marcele, por compreenderem e incentivarem. Camilla, Valber, Jailson, Robertson pela parceria nos treinos e provas. Wladir, Celso, Anderson Melo, William, Alan, Wladimir e Lucas pelo suporte na Sprint. Ao mestre Chaguinha pela atenção especial e fundamental no fortalecimento na academia (já fazem uns meses que o adutor não é mais um grande problema, exceto quando o piso é irregular rsrs) e a todas as pessoas que incentivam. O comprometimento é reforçado com cada palavra de apoio que recebo de muuuuuita gente (alguns até que nem correm!). Olhando pro início de 2018, com tudo que aconteceu – ou que poderia ter acontecido, mas graças a Deus não aconteceu – só tenho a agradecer pela forma como está sendo o seu final.

E vamos correr que o ano ainda não acabou 😀

Resumo da prova:

Kit: Camisa, número de peito, sacolinha e copo. Inscrição: R$ 50,00.
Balizamento: Na estrada não há acostamento. Então, não seria possível colocar cones. No entanto, sempre tinha alguém do Staff pelo caminho.
Ambulância: Presente.
Hidratação: 99.9%, pois faltou água no último posto (mas vi que foram pegar assim que isso aconteceu) e na chegada, pelo menos nas calhas ali expostas, estava no finzinho, sendo que vários corredores ainda chegariam depois de mim.
Lanche pós-prova: Frutas.
Medalha: “Metal”, muito bonita.
Premiação: Não houve. Era prova roots.
Observações: Prova excelente, bem organizada e com astral excelente. Ônibus para trazer o pessoal de volta. Ambulância. Claramente houve atenção da organização em “cuidar” dos corredores. Tudo isso por um preço muito justo. Tenho apenas uma “queixa“: quem corre 24k no Desafio não ganha foto “oficial” nos locais mais bonitos. Em 2017 foi da mesma forma… Acho que para as próximas edições poderia-se rever este ponto, afinal, as fotos promovem a própria prova!

Mais alguns registros

Ao final.

Eu, Jailson e Michel
Em pé: eu, Michel e André Melo. Agachados: Jailson e Robertson.
Alexandre, Lucélio e eu.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *