#18 – Circuito das Estações – Etapa Verão

Última prova de 10km do ano. Última chance para o sonhado sub-60. Foram 49 dias desde a Corrida da Asa e uma preparação focando no ganho de velocidade, aproveitando as ladeiras e o clima quente de Sobral para o ganho de resistência. Também um trabalho mais forte de musculação com o professor Nobre, Chaguinha Nobre.
Circuito das Estações, sabe como é… Tudo repetitivo – e isso não é uma crítica nem reclamação, apenas um fato – e organizado. Kit na mão sem problemas e dessa vez até com direito a personalização. Local, o de sempre: Aterro da Praia de Iracema. Percurso, o de quase sempre, mas (ufa) sem ser em voltas!
Personalização feita no próprio local de recebimento de kit. Tenho a impressão que isso sai na primeira lavada.
No dia da prova, a “equipe” estava maior. Além do Válber e do Dirceu, foram também correr a Rosinha, a Martinha (esposa do Válber), o Víctor – que é tipo um primo, pois minha mãe é madrinha dele -, o Maurício (pai do Víctor) e a Adriana, namorada do Víctor. Além da fotógrafa exclusiva, a Viviane, filha da Rosinha.
Fomos divididos em duas turmas por questões de veículos e, claro, minha equipe chegou primeiro. Se tem uma coisa pela qual sou asilado (aqui no Ceará asilado quer dizer obcecado), é chegar antes da hora. Só espero chegar atrasado na Hora Derradeira desta vida.
Encontramos um local bem próximo da largada, estacionamos, fomos pegar o chip, banheiro, etc, e uma brisa gelada de vez em quando açoitava. E nos enganava.
Já perto das 6h chega a outra parte do time e vamos para o aquecimento. Fiz vinte minutos de um bom aquecimento e acabei me perdendo dos demais, vindo a reencontrá-los somente no corredor de largada. A maior parte foi no Pelotão Branco, eu no Verde, Válber no Azul e Dirceu, claro, no Quênia. Depois de cinco corridas, eu finalmente subi do Pelotão Branco para o pelotão seguinte.
A largada deu-se uns dois ou três minutos depois das 6h30min. Ai, ele começa a dar as caras: o sol! Em Sobral, normalmente estou voltando do treino a essa hora. Primeiro por conta do Sun King, que depois de setembro acorda muito cedo, mas também para deixar o filhote na escola.
Meu objetivo era pensar quilômetro a quilômetro. Cada um deles abaixo de 6 minutos. Como eu vinha conseguindo isso nos treinos em Sobral, achei que era só uma questão de dosar o ritmo, principalmente até chegar na temível subida do IML. Depois era só usar a Lei de Cicerus: “passou do quilômetro sete, assunga!”
Passado o primeiro quilômetro, tempo de 6:25. Mas havia um motivo: muito tráfego. Puxa vida, larguei do Pelotão Verde e, pelo menos teoricamente, quem estava à minha frente deveria ser mais rápido do que eu. Que nada… Antes dos primeiros 500 metros já tinha muita gente andando, ou trotando. Isso acabou atrapalhando o começo. Já estava devendo 26 segundos…
Na passagem do segundo quilômetro (dito pela moça do GPS) tempo de 6:07. Legal, melhorei, mas minha dívida estava em 33 segundos. No terceiro km, 5:59 e a dívida caíra para 32 segundos e com as parciais baixando. É hora da rapadura, pensei. Dessa vez peguei vários pedaços menores para que eu consumisse nos quilômetros 4, 6 e 8. No entanto, quando tirei o saquinho da pochete, as três pedras preciosas caem e saem quicando no chão. Começa o terror.
Tema para as rapaduras fujonas: Hello, Goodbye!
Até então, nem me preocupava em olhar para o frequencímetro, no entanto, começou a bater uma falta de fôlego que não era comum. Pelo menos não desde quando comecei lá em 2014. Quilômetro quatro e o tempo de 6:14, ou seja, eu já estava devendo 46 segundos e me sentindo sem fôlego. A parte muscular parecia normal, pois não sentia dores, mas a parte cardio-respiratória não: na velocidade em que eu estava no quilômetro quatro, normalmente minha frequência fica em torno dos 165 bpm, mas hoje estava em 175 bpm. E logo a frente, ela; a subida do IML. Tive que diminuir o ritmo pois o motor parecia superaquecido.
Era como se eu estivesse escutando o espírito de Ben Kenobi dizendo “é preciso respeitar as subidas, jovem padawan”. E foi o que eu fiz. A partir daí, meu único objetivo era completar a prova. Esquece sub-60. E lá fui eu. Lento, cansado, corpo e mente discutindo asperamente e uma maldita música dessas de aula de HIT que tem uma batida ao final dos refrões que parece uma metralhadora… Nisso que dá pegar uma playlist sem escutar antes. E com os dedos suados, nem adiantava tentar parar a música. Tirar os fones também não seria legal, pois ficariam balançando e seria mais uma coisa incomodando.

O posto de hidratação agora era o posto de refrigeração. Passei a pegar dois copinhos e tomar banho mesmo. Só podia ser o calor que estava fazendo aquilo. Afinal, mesmo em Sobral, não era assim que as coisas aconteciam. Parei de prestar atenção nos tempos por quilômetro, pois certamente chegariam à sete, oito. Não importava mais. Final de prova: 1h08min29. Cerca de 10 minutos além da meta. Dez! Dez! Duro golpe… Mas corrida é isso mesmo. Fazer 10 km já é um feito de quantos por cento da população? Pouquinho né? Mas eu estou lá. Já é alguma coisa.

Creio que na próxima voltarei para o Pelotão Branco. Tem nada não…

Depois de mais banho na chegada – acho que foram mais uns quatro copos e o burburinho das pessoas perguntando que sol é esse – peguei a medalha, água de coco e banana. Como nas provas da O2 é sempre tudo igual, até mesmo a indelicadeza das pessoas da organização é padrão. Peguei uma banana, fiquei de pé na sombra, perto da lixeira e veio uma filha da… é… de Deus, dizer que eu tinha que sair dali pois não era permitido ali estar. Educadamente (na verdade era falta de força mesmo) disse “moça, deixa eu só terminar de comer essa banana que eu desocupo a sombra, tudo bem?”. Ela só se virou e saiu. E nem era moça.

A equipe se reencontrou e foi visitar um dos espigões para tirar umas fotos.
De pé, da esquerda para a direita: Maurício, Adriana, Rosinha, Vítor, Marta, Dirceu e Válber. Agachados, da direita para a esquerda: eu.
A meta não foi cumprida, mas vieram alguns aprendizados importantes: musculação é altamente necessário (tanto para desempenho como para recuperação), variar nos treinos é preciso, escolher a playlist é importante e, principalmente, escolher melhor as provas em 2016.
Desempenho nas provas de 10km ao longo de 2015. Foram 13 provas (eixo horizontal). O tempo é contado em minutos (eixo vertical).
Agora é uma semana de descanso e esperar a corrida do domingo que vem. Cinco quilômetros para encerrar o ano. O sub-60 fica pra 2016, ano de meia maratona.

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